“A mais bela profissão de fé é aquela que, como um raio, dissipa as trevas da sua alma.” (Padre Pio de Pietrelcina)

Católico praticante?

Quando, num encontro social, a conversa gira em torno de assuntos religiosos, é comum alguém declarar, com a maior naturalidade: “Sou católico, mas não pratico”…

Interessante é que a maioria parece achar muito normal e lógica essa afirmação: raramente alguém contesta. Assim, dias depois, numa outra oportunidade, numa outra discussão sobre assuntos religiosos, é possível que alguém volte a fazer a mesma afirmação. Mas, como pode alguém “ser” e não “praticar”? Essa ideia de que se pode acreditar na Igreja, sem colocar em prática a sua fé, infelizmente, é tão comum que já se tornou a mentalidade predominante em muitos ambientes.

A justificativa desse comportamento varia de pessoa para pessoa: existem aquelas que deixaram de lado a prática religiosa pela decepção com um líder ou administrador da sua comunidade: o padre fez ou falou alguma coisa que aquela pessoa não gostou e pronto, já é motivo para abandonar Jesus Cristo e a Igreja, como um todo. Alguns outros, meio sem perceber, foram abandonando pouco a pouco a vida de fé: deixaram de ir à Missa um dia, depois outro… Quando perceberam, não estavam indo mais à igreja. Depois vão deixando de rezar com regularidade, deixando de ler a Bíblia Sagrada, e, quando notam, já organizaram suas vidas de tal maneira que não há mais espaço para a religião, para a Comunhão com Deus…

Outros, ainda, têm um conhecimento tão superficial da sua religião que, sem refletir muito, a renegam. Quando alguém critica a Igreja, essas pessoas ajudam a criticar, ao invés de defender a sua Fé, a sua Casa, a sua Família. Lembram-se que a Igreja existe apenas em ocasiões como a celebração de um batizado, casamento ou Missa de sétimo dia de algum querido falecido, como se a Igreja fosse somente um lugar para encontros sociais.

Algumas pessoas também deixam a prática religiosa com o argumento de que não gostam de normas e ritos: preferem fazer a sua própria religião, do “seu jeito”. Não querem dogmas, regras morais, ritos… Esquecem que somos seres humanos, e não anjos elevados: os anjos não precisam de gestos, sinais e palavras para se relacionar com Deus, pois são seres espirituais. Nós, ao contrário, precisamos desses recursos como meio de comunicação.

A Fé nos torna participantes da Família de Deus e membros da Igreja, e é através dela que seguimos o Caminho da Salvação, que é Jesus Cristo. Nossa família cristã, a Igreja do Senhor, tem uma história de dois milênios, uma rica tradição e belíssima Liturgia, que se reflete nas belas celebrações. Pode ser que algumas pessoas não as entendam, mas, antes de simplesmente ignorá-las, ou pior, desprezá-las, seria mais prudente procurar conhecê-las, entender os seus significados e descobrir os seus valores. O principal, muitas vezes, é invisível aos olhos. O próprio Jesus Cristo, mesmo sendo Deus, quando assumiu a natureza humana observou os ritos: foi batizado, passou noites em oração, foi ao Templo de Jerusalém, frequentava as sinagogas, lia as Escrituras…

Não se pode dizer que tem fé e não demonstrá-la nos gestos, na postura, na prática. A fé e o modo de vida não vivem separados. A Bíblia diz que a fé sem obras é morta (Tg 2, 14-26).

Conta-se que certo empresário muito rico, mesmo sendo ateu, em viagem à Índia fez questão de ir conhecer Madre Teresa de Calcutá: ele tinha muita admiração por sua vida e obra. Chegando à casa das missionárias, onde Madre Teresa vivia, encontrou-a em meio a um mar de crianças miseráveis, muitas doentes, num quadro desolador. Viu uma velha senhora, que poderia estar descansando e aproveitando tranquilamente seus últimos anos de vida, sacrificando-se, literalmente, pelo bem do próximo.

Comovido, o homem aproximou-se e se apresentou, declarando sua admiração pela religiosa. Madre Teresa foi gentil, mas não deixou de fazer o seu trabalho. Os dois conversaram por alguns minutos, até que o rico empresário, prestando atenção ao grande crucifixo pendurado ao pescoço de Madre Teresa, comentou: “Admiro muito o seu trabalho e o seu exemplo, mesmo não acreditando neste símbolo que a senhora usa”.

Ouvindo isso, Madre Teresa respondeu: “Meu filho, tudo que eu sou e faço todas as coisas pelas quais você me admira… É tudo por causa do que este símbolo representa. Se não fosse pela minha fé e amor a Cristo Crucificado e Ressuscitado, você nem saberia que eu existo!”…

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